segunda-feira, 23 de julho de 2007

Contrastes da India













Bom, comeca que fui paga para pegar esse voo. Uma menina me ligou desesperada porque estava na cidade dela de ferias e me ofereceu mais do que eu ganhei em horas de voo para aceitar. Sim, dei meus dias de folga para ela e fui pra India. Confesso que nao foi de ma vontade, porque claro que sempre quis ir para a India. Na verdade ninguem quer ir e dao qualquer coisa para faltar. Um dos motivos sao os passageiros. Em Dubai os trabalhadores de obra sao em sua grande maioria indianos. Sao pessoas muito, mas muito humildes e quando chegam em Dubai sao praticamente escravizados. Trabalham para pagar a passagem de volta, ficam com o passaporte retido e dois anos sem ver a familia. Enfim, e muito triste mas e a realidade daqui. Isso aqui acima de tudo e uma Monarquia, e as leis aqui sao ditadas e nao votadas.
Entao o voo e um caos mesmo. Os passageiros nao falam, nao sabem encontrar o lugar e voce tem que pegar e levar pela mao. Nao sabem usar o banheiro, e vez ou outra voce abre o toilette e da de cara com alguem la dentro sem saber se trancar. Isso e so um pouco do que se ve em um voo destes. E realmente muito triste o que se passa.
Calcutta e uma das cidades mais populosas e pobres da India. Eu juro que nunca vi coisa parecida. Os carros nao tem retrovisores, e eles dirigem com a mao na buzina. Eles buzinam e se jogam, a buzina para eles seria o nosso pisca pisca. TODOS os carros sao batidos, e eles sao muito, mas muito barbeiros. E tem muuuuito carro na rua. Em meio a tudo isso, nao tem sinaleiro, nao tem sinalizacao ou placas. Agoras some isso a vacas no meio da rua, aquelas carrocas puxadas por gente ou bicicleta, umas motinhos meio carrocas. Onibus coloridos e apinhados de gente dentro, e gente sentada na rua, vendendo em barracas, criancas tomando banho em fossas, e taxis amarelos, antigos com doidos dirigindo. Mas entenda que para eles tudo isso e naturalmente muito normal. Quando cheguei no hotel, outro susto. O hotel era tao luxuoso, tao moderno que bateu todos os hoteis que ja fiquei ate hoje. Decoracao minimalista, banheiro de marmore branco, super televisao no quarto, mega piscina, varios restaurantes. E pela janela, eu via toda aquele caus de dentro de um palacio. Muito chocante.
E claro que ninguem da tripulacao queria sair do hotel. Alias, alguns iriam ate um shopping proximo ver roupas e comer alguma coisa.
Eu conheco muitos indianos. Tenho grandes amigas indianas, e ja conversei muito sobre a situacao da India. Pode ser pobre ou miseravel, mas e seguro. E claro que voce nao vai dar uma de heroi, mas o povo indiano e muito respeitoso e principalmente com os turistas. Eu acertei um taxi amigo do hotel e nao quis nem saber, fui explorar a cidade sozinha para variar. O meu taxi nao falava ingles, era um carro terrivel e ele era pessimo motorista. Gostava de andar bem no meio das duas faixas e bem devagar, se e que tem como definir duas faixas ali. Ele levava tanta buzinada e nem se movia. Dava um nervoso mas ao mesmo tempo vontade de dar rizada da situacao que eu estava. Primeiro ele me levou para ver um monumento. Esse monumento foi feito para homenagear a Rainha Victoria (quando a India era colonia Inglesa) e demorou vinte anos para ficar pronto. Ele e um museu por dentro. Maravilhoso, todo de marmore branco, talhado, trabalhando imponente. E as suas voltas um belo jardim. Muito bonito. E pareceu ainda mais depois da aventura que foi para chegar ate ele.
Eu gosto muito de criancas. E quando voce comeca a conhecer mais sobre um povo, certas coisas te comovem mais do que voce imagina. No Brasil existe muita crianca abandonada. Os motivos sao variados, todos nos conhecemos. Na India, os pais acabam dando os filhos para o orfanato para que eles possam comer decentemente e estudar. Eles nao abandonam, mas quem cria e educa sao as instituicoes religiosas em especial. Era mais ou menos isso que a Madre Teresa de Calcutta fez durante a sua vida toda. Ela criou filhos dos outros, e fundou uma irmandade que hoje tem mais de 4.000 seguidoras no mundo inteiro. Eu queira ver como era essa realidade da India, porque a do Brasil ja conheco muito bem. Alias, passei anos da minha vida lecionando criancas de baixa renda. Entao pedi ao meu motorista que me levasse a algum orfanato. Foi muito forte, mas muito bonito. Muitas criancinhas todas bem tratadas sorrindo, essas sim eram criancas de sorte se comparadas com o resto que vi nas ruas. Infelizmente as freiras pedem que a gente nao tire fotos, para nao virar atracao turistica. As criancas me abracavam, queriam me tocar, pegar no meu cabelo, eu conheci toda a estrutura desse lugar, conversei com freiras e voluntarios. Sim, tem muita gente que simplesmente larga tudo que tem e vai doar seu tempo e sua forca de vontade e principalmente amor a essas pessoas que precisam. Alias, descobri que tem ate intercambio, voce pode ficar la em um lugar e passa um mes ou dois na India, trabalhando nos orfanatos, ajudando as familias, enfim, convivendo com essa realidade.
Em seguida, fui a casa da Madre Teresa de Calcutta. Ali onde ela passou sua vida ajudando criancas, leprosos e aideticos, ela esta enterrada. Eles nunca a deixam sozinha. Sempre uma das freiras a esta velando, dia e noite. E um lugar humilde mais muito bonito e especial. Alem da sua sepultura, tem um museu com toda a sua historia, desde o seu nascimento ate a sua canonizacao. E pela parede muito dos seus dizeres. Fiquei muito emocionada com as fotos, com o ambiente com o carinho com que me receberam. A casa dela e para ser visitada, mas nao e aberta ao publico. Voce tem que ir la, bater na porta e pedir pra entrar. Mas elas recebem muito bem quem la vai. E na saida, elas te dao as famosas medalias da Madre Teresa. Aquelas que ela chegava a beijar 2.000 em um dia e dar aos que necessitavam de um pouco de fe e amor, mesmo quando estava moribunda em uma cadeira de rodas.
Claro que teria que acabar minha visita em um shopping. E foi o maximo! A India tem sua cultura tao entranhada que nao se influencia muito pela moda, pelas tendencias etc. Voce ve lojas de marcas as moscas, mas aquelas lojas de tecidos para sari apinhadas de gente. E sao lindas demais as coisas. Coloridas, alegres, bordadas, sensuais. Eu tambem sempre ouvia muito sobre Bolywood, o cinema indiano aclamado e famoso no oriente medio. Comprei cinco filmes Bolywoodianos, aos quais ainda nao assisti, para entender mais um pouco a cultura tao rica desse lugar. Tambem nao resisti e logicamente fiz uma tatuagem de hena, aqueles desenhos que elas usam principalmente em casamento ou quando querem parecer mais lindas. Queria fazer maior mas meu trabalho nao permite. Sem mencionar ainda as bijuterias, as bolsas e pachiminas. Chega a doer de tao barato que e.
E e claro que para finalizar, amante da comida indiana que sou tive que comer algo por la. O problema era pedir ja que nao da para ter a menor ideia do que se trata. Eu fiquei no balcao do restaurante esperando os pratos sairem por um bom tempo, ate achar algo que me desse vontade e pedi o mesmo. Nao sei bem o que era, sei que era vegetariano e delicioso!
Em sintese, a India nao e lugar para turista e sim para viajante, explorador. Voce vai amar a India assim como eu se tiver olhos curiosos, e souber entender que e um fascinante mundo novo e desconhecido onde nao se pode ter juizo de valor ou preconceito. Tem que se deixar viver, sentir, olhar, aprender e agradecer pela oportunidade e pelo contato com tantas riqueza, crenca e realidade diferente.







6 comentários:

Paula Abrão disse...

Oi minha amiga linda!!! To vendo q está muito bem!!! Continue sempre assim linda e sorridente. Beijos no seu coraçao..saudadona de vc!!!
Paula

Anônimo disse...

Mamy diz...que lindo!!!!que sensibilidade a tua para captar tudo isso. Voce pegou a essencia das coisas importantes. Acho lindo esse teu lado interior...Conserve isso não deixe a vida te brutalizar. Voce é muito linda interiormente!!!
Te amo e me conformo com a tua ausencia ao ver como vc esta crescendo vendo tudo isso por ai.
Mas estou feliz que daqui a pco teremos vc aqui.

Anônimo disse...

Linda como sempre. Adoro o seu blog, viajo com vc.
Se cuide e fique com Deus

Anônimo disse...

Oi Ju,

eu viajo com voce...e acho bom ja pensarmos na publicacao do seu livro, para tornar um livro de cabeceira. A sua sensibilidade e impar, alimente tudo isso, para quando voce nao quiser mais voar, ter as mais belas recordacoes . Quanta gente passou por ai e nao captou a mensagem ne?

Um abraco da sua mae alema/baiana

Unknown disse...

Filinha: Só você com seu talento e sabedoria pode sentir essas emoções e busca permanente ver algo belo e poético em lugares tão diferentes. Quando fui a Nice e Mônaco curti o que você curtiu. Há lugares no mundo que me determinei a não ir nunca. E a Índia está incluída nessa relação. Você com a sua coragem e humanismo enfrentou tudo e quase me deixou com vontade de mudar, quase... Vou esperar você ir à Turquia para ler sua visão pessoal de lá.
Beijos and kisses,
Pai Pai aguardando seu skipe.

Anônimo disse...

Sempre q posso passo em seu blog para ler..acho fantastico como relata suas experiêcias.